ESG – AS DIVERGÊNCIAS EM SUA AVALIAÇÃO NÃO CONTRIBUEM PARA O SEU AVANÇO

Embora muito importante e requerido pelo universo moderno das organizações existem muitas divergências sobre os critérios que as atitudes e ações de ESG são avaliadas. Estas avaliações, da mesma forma que aquela da qualidade de produtos e de serviços, são de difícil equacionamento e têm sido realizadas por diferentes organismos no nível mundial, com enormes controvérsias.

O movimento ESG (Environment, Social, Governance), sigla que envolve boas práticas nestes três importantes aspectos de Sustentabilidade, Social e de Governança, cresce no mundo todo, principalmente no sentido de preservar a imagem de empresas. Organizações procuram associar suas atitudes com os bons preceitos de sustentabilidade, de práticas sociais e de comportamentos transparentes e éticos.

Estes esforços de avaliação objetiva das ações e atitudes de ESG nas organizações são justificados pela possibilidade do uso retórico sem as devidas comprovações destas ações e atitudes na empresa, o que costuma ser genericamente chamado de “greenwashing”. Esta expressão traduz a ideia de uma manipulação da opinião pública com argumentações mercadológicas sem a devida comprovação efetiva das ações ou atitudes de ESG.

Os benefícios de boas avaliações ESG de uma organização, em qualquer das três áreas envolvidas pela sigla, ou seja, relativas ao meio ambiente, aos aspectos sociais e de governança ou transparência, repercutem em melhoria de imagem organizacional.

Na área financeira a avaliação de ser uma empresa ESG garante melhores financiamentos para projetos, os investidores na bolsa tendem a dar preferência às empresas com boas atribuições nestes três quesitos. Seus funcionários tendem a ficar mais engajados em trabalhar nestas empresas participando de suas ações, assim como seus relacionamentos com fornecedores e clientes, dirigidos por estas ações, resultarem em melhorias constantes, entre outros aspectos positivos.

A presença desse tema em todos os tipos de mídias no mundo sugere que o movimento ESG se tornará cada vez mais relevante e, para quem trabalha há mais tempo nestas áreas, representa uma esperança que o futuro conduzirá as organizações a demonstrar os seus avanços através de ações reais, visíveis e mensuráveis nesses 3 eixos.

Embora todos os organismos que se propõem a “medir” o nível de ESG de organizações empresariais e governamentais tenham certamente boas intenções, e colaborem efetivamente para o sucesso do uso da sigla e de suas práticas, os critérios utilizados diferem de um organismo para outro, o que torna confusa a avaliação objetiva do nível de avanço de ESG de uma organização.

Em recente pesquisa entre os anos de 2019 e 2022, realizada por professores doutores do famoso instituto MIT (Massachusetts Institute of Technology e da Universidade de Zurich, sob o título: “Aggregate Confusion: The Divergence of ESG Ratings” - Berg,Florian, Koelbel,Julian F. and Rigobon,Roberto), o grupo estudou as diferenças de critérios entre diversos institutos classificadores de sistemas ESG e relatou importantes divergências de critérios, que não contribuem evidentemente para o entendimento adequado destas ideias, abrindo lacunas de dúvidas.

Esta pesquisa detectou pelo menos três categorias de divergências:

· Relativa ao Escopo, ou seja, abordando tópicos ou categorias distintas

· Relativa à Mensuração, instituições utilizando indicadores diferentes

· Relativa à Ponderação, ou seja, atribuindo importância diferentes aos diversos aspectos examinados.

As empresas avaliadoras de ESG pesquisadas foram: ESG rating agencies; KLD; Sustainalytics; Moody’s ESG (Vigeo-Eiris); S&P Global (RobecoSAM); Refinitiv (Asset4) e MSCI.

Dos 709 indicadores estudados pela pesquisa a categoria Mensuração contribuiu com 56% das divergências, enquanto a categoria Escopo contribuiu com 38% e a Ponderação com 6%.

Percebe-se, portanto, que dependendo da empresa avaliadora as notas de ESG podem ser diferentes, o que evidentemente as tornam pouco comparáveis.

Ideal seria que estes organismos entrassem em acordo e que a avaliação de ESG tendesse para sistemas do tipo de “Normas de Qualidade ISO “, onde os critérios ou sistemas de medição são realizados pelos institutos “in loco” e não somente através de relatórios, permitindo uma certa unificação de critérios para tanto.


Evidentemente é melhor ter certo nível de avaliação do que nada, mas um esforço para a redução de tantas divergências contribuiria muito para a credibilidade dos sistemas.