LOGÍSTICA REVERSA DE PÓS CONSUMO E A ECONOMIA CIRCULAR ( 2ª PARTE)

O consumo, em todas as partes do mundo, tem crescido a uma taxa 3 (três) vezes maior do que a taxa de crescimento da população.


A história mostra que a geração de “lixo” de resíduos, como aqui o estamos entendendo, não é natural, mas um fenômeno criado pelo homem, principalmente pelos processos de industrialização desde séculos atrás.

A mitigação dos efeitos destas quantidades de produtos e materiais, desperdiçados no meio ambiente, somente poderá ser realizada com a adoção de uma nova estratégia de visão da economia, ressaltando-se:

· Uma nova maneira de conceber produtos e processos;

· O desenvolvimento de novos materiais, concebidos para o seu reaproveitamento;

· A intensificação dos processos de reaproveitamento dos resíduos;

· Novas formas de consumo que substituam a venda pela locação do serviço;

· A intensificação do uso de tecnologias 4.0, que contribuirão para a redução de desperdícios na fabricação e em outras áreas;

· Entre outras possibilidades


Cada vez mais fica evidente que a sociedade não pode ficar omissa às montanhas de desperdícios de produtos e materiais de todas as espécies presentes, com maior ou menor intensidade, em boa parte do globo, que na verdade não se constituem de “Lixos”, mas de “Resíduos”, e como tal, geralmente podem ser evitados ou no limite reaproveitados de alguma maneira.

Uma lenta compreensão desta nova realidade por parte da sociedade parece estar em curso. Um novo “modelo de economia”, que busca evitar os resíduos e, quando descartados, sejam reaproveitados de alguma forma, reduzindo os efeitos seus efeitos na natureza. Por outro lado, observa-se certa tendência nas novas gerações no sentido de substituir a ideia de propriedade do bem pelo consumo de serviço de locação, o que contribui também para a redução dos diversos tipos de “Resíduos”. Vê-se, outrossim, uma lenta, mas promissora e crescente aplicação de tecnologias 4.0, que certamente contribuirão para a redução dos resíduos.

A esta nova visão de economia deu-se o nome de “Economia Circular”, estratégia definida como o conjunto de sistemas, envolvendo sociedade, governo e empresas visando reduzir a formação de resíduos e de amenizar o seu impacto no meio ambiente através de seu reaproveitamento. Relembre-se que a Logística Reversa de Pós Consumo, embora se preocupe com todos os aspectos antecedentes à geração de resíduos, concentra-se prioritariamente com o equacionamento logístico do retorno de produtos usados ou resíduos. A Economia Circular é uma estratégia que procura lidar com todas as fases da elaboração dos produtos. Desta forma, propõe uma nova visão sobre a extração de matérias-primas, sobre o projeto dos produtos e sua fabricação, sobre o reaproveitamento eficiente de materiais e produtos descartados e a sua posterior apresentação inovadora ao mercado, como produto reaproveitado.

Durante os últimos séculos o mundo habituou-se com a estratégia econômica da denominada “economia linear”, caracterizada pela extração das matérias-primas, transformando-as em produtos que serão consumidos e descartados na natureza, gerando os “Resíduos” de todas as espécies. Enquanto as quantidades de produtos e consumo eram relativamente baixas os danos causados eram pequenos, pois geravam baixas quantidades de “Resíduos”, porém, como já salientado, a situação é bem diversa atualmente com o seu crescimento exponencial.

Embora muito lógica sob o ponto de vista de consumo de energia e de preservação da natureza, a implantação da Economia Circular é complexa e envolve um novo papel dos agentes sociedade-governo-empresas, exigindo mudanças de paradigmas desafiadores.

Citando somente algumas:

· Conscientização e comprometimento da sociedade;

· Nova forma de planejar os produtos;

· Nova forma de produção;

· Redução de preconceitos sobre materiais e produtos reaproveitados;

· Existência de lideranças empresariais para avanço das ideias;

· Novas legislações facilitadoras;

· Tecnologias de ponta em todas as atividades, inclusive na área de reaproveitamento.


A Economia Circular tem uma lógica energética, levando em consideração que o consumo de energia de um produto é de cerca de 75% para explorar as suas matérias-primas e somente de 25% para fabricá-lo. No campo do reaproveitamento, a lógica de economia energética é ainda mais intensa, pois a recuperação da energia gerada pelos processos de reaproveitamento apresenta níveis altos.

A reciclagem do alumínio, por exemplo, requer 25% da energia em relação à fabricação do alumínio, o que se verifica com outros materiais, mesmo que com cifras um pouco diferentes, porém o reaproveitamento sempre representa um gasto porcentual de energia muito aquém daquele requerido para a sua fabricação.

Ainda, para se ter uma ideia das vantagens energéticas, o porcentual da quantidade de metais reaproveitáveis presentes em uma placa eletrônica é muito maior do que aquele encontrado em minas de minérios. No caso do cobre, a porcentagem desse metal em placas eletrônicas é de 15% a 30% em peso enquanto uma mina contém somente 0,5% a 2% deste metal.

O “Lixo de Resíduos” é, portanto, uma das fontes mais baratas de obtenção de matérias-primas e de energia!!

A falácia muito utilizada como sugestão para uma possível diminuição da geração dos “Resíduos” sugere uma redução no consumo pela sociedade. Trata-se efetivamente de um engano porque, além da dificuldade prática da redução de consumo pelos hábitos sociais atuais, tal redução no consumo impactaria diretamente na quantidade de empregos, aumentando ainda mais o nível de desemprego que o mundo atravessa. O modelo da Economia Circular e a Logística Reversa de Pós-Consumo, por outro lado, criam cadeias industriais e comerciais reversas que contribuem para a geração de novos empregos, que poderão compensar, pelo menos parcialmente, as possíveis reduções para a qual caminhamos inevitavelmente com as novas tecnologias 4.0 e a robotização do mundo atual.

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