RECICLAR LATA DE ALUMINIO É EXTREMAMENTE VANTAJOSO


A reciclagem de latas de alumínio no Brasil apresenta índices perto de 100%. Conforme a definição de Leite (2003,2009,2017), trata-se de um caso de Logística Reversa de “ciclo fechado”, quando o material constituinte de um produto será reciclado industrialmente e reutilizado para um novo produto de mesma natureza, ou seja, uma nova lata de alumínio. O que já indica um interesse da indústria nessa matéria prima reciclada.

Após a coleta, as latas de alumínio descartadas são enfardadas em armazéns regionais e enviadas para a indústria que realizará a fusão das latas, transformando-as em lingotes de liga de alumínio. Posteriormente estes lingotes serão utilizados na fabricação da chapa. Esta chapa será então dirigida para a fabricação de uma nova lata. Este ciclo, no Brasil, tem a duração de cerca de 1 mês, realmente muito rápido!

Essa taxa de reciclagem, assim como a velocidade de reaproveitamento das latas de alumínio, se deve à enorme economia que esse reaproveitamento permite. Quando comparado ao processo de obtenção de alumínio a partir do minério bauxita, a economia na reciclagem é de 95% no custo de energia elétrica, de 15 Kwh /Kg para 0,75 Kwh/Kg, o qual representa 75% do custo de fabricação do alumínio. Além disso, uma fábrica de produção de alumínio virgem exige um investimento 15 vezes maior que a fábrica de reciclagem.

Portanto, o reaproveitamento da liga de alumínio que constitui a lata de alumínio é extremamente vantajoso, sob o ponto de vista econômico, justificando o esforço da indústria de reciclagem deste material em obter as latas descartadas. Desta maneira, o “valor” da lata descartada ou usada é muito grande, quando comparado com outros materiais de embalagem. A indústria utiliza o valor dessa liga como forma de “pagar” um preço alto para que as latas cheguem rapidamente para a reciclagem.

O preço médio da sucata de lata de alumínio é cerca de 5 vezes maior que o da garrafa PET, 45 vezes maior que o da embalagem longa vida, 14 vezes maior que o do plástico duro, e assim por diante. Percebe-se a diferença de preços comparado com as sucatas comuns é muito grande. Estes valores são superados somente por sucatas de alguns metais e de placas de computadores, por estas conterem certa quantidade de metais de alto valor como ouro, prata e cobre, etc.

Estes fatos justificam que o preço da “lata usada” propicie intensa procura, gerando lucratividade em todas as etapas da Logística Reversa. Não há necessidade da indústria se envolver demais com a coleta das latas, que é a fase mais complexa da Logística reversa, pois o preço dessa “sucata” anima sua coleta espontânea, principalmente por catadores de rua, tornando o processo muito econômico.

A coleta das latas de alumínio é feita seja por catadores “profissionais”, ou seja, aqueles que se dedicam à coleta de vários materiais, como os que ocasionalmente se dedicam somente à coleta de latas de alumínio descartadas. É lastimável se ter uma quantidade tão grande de pessoas se dedicando a uma atividade dessa natureza, ao longo de todo o território brasileiro.

Sendo, portanto, lucrativo em todas as etapas da cadeia reversa não há mesmo necessidade de legislação específica, sendo considerada uma “cadeia reversa espontânea” devido ao valor da liga de metal constituinte da lata de alumínio.

A ideia de cadeia reversa ecológica não se aplica neste caso, dado que a sua motivação principal é a geração de lucratividade para as empresas que reciclam. A vertente ecológica, algumas vezes propagada, não é o principal objetivo desta cadeia reversa, mas uma possível consequência.


Referência bibliográfica

Leite, Paulo Roberto – “Logística Reversa - Meio Ambiente e Competitividade”, São Paulo, editora Pearson Education, 2003 e 2009

Leite, Paulo Roberto – “Logística Reversa – Sustentabilidade e Competitividade”, São Paulo, editora Saraiva, 2017.